ARTIGO |NÃO ME VENHA DANDO UM MIGUEL

Por Mariângela Jacomini

Imagine que você votou em um(a) candidato(a) porque tinha esperança que era humano(a), que melhoraria a vida da população mais pobre, que investiria em saúde e que, acima de tudo, era uma pessoa honesta.

Imagine que após quatro meses de mandato, você fica sabendo que aquela pessoa honesta, humana, que fez tantas promessas está se mostrando desumana, não se move para salvar a vida do seu povo e que, na realidade, paga alguém para administrar a cidade no seu lugar, alguém de fora, que não conhece a cidade nem seus moradores e que, ainda por cima, está envolvido em esquemas de corrupção e improbidade administrativa.

Pois é, caros amigos, você que confiou, que sonhou com uma cidade melhor e mais humana e que votou na prefeita eleita e empossada foi surpreendido semana passada com uma reportagem de um jornal virtual alegando que quem administra a cidade é um tal de Miguel…

E aí você se pergunta: Quem é esse Miguel? De onde veio? O que faz? Como vive? Por que está aqui? Quem o chamou? Por quê? Segundo a reportagem trata-se de Miguel Silveira de Moura Junior que é investigado em dezenas de ações por improbidade e seria o responsável por comandar e dar direções em todos os departamentos da atual gestão.

Parece que o tal Miguel veio para ser nomeado diretor mas como tem ficha corrida não poderia. Então ficou hospedado na casa onde a senhora prefeita morava e de lá despachava, recebia diretores e funcionários da prefeitura. E a senhora prefeita, mora onde? Parece que se mudou para um apê luxuoso no centro da cidade.

O caso veio à tona depois da demissão do Diretor do Departamento do Meio Ambiente por se desentender com um vereador, o presidente da Câmara por motivos ainda não esclarecidos. O ex-diretor falou tudo e jogou a sujeira que estava sob o tapete diretamente no ventilador…voou pra todo lado.

Em toda essa história, a pergunta que não quer calar é: se esse tal de Miguel não é diretor, o que ele é na administração da cidade? Quem paga o Miguel já que ele não é contratado oficialmente pela prefeitura? Por que foi chamado? Por quem?

Há muito mistério rondando essa gestão mas ninguém poderia imaginar um roteiro de filme policial como esse que veio à tona semana passada.

E as pessoas nas ruas não falam em outra coisa…todos indignados, assustados, frustrados e com aquela sensação de terem sido traídos.

Seria dona Teresinha de Jesus uma laranja em um esquema de corrupção? Esse Miguel representa alguém muito maior e mais poderoso e mantém os gestores da cidade apenas como marionetes? A prefeita não tem condições de administrar a cidade sem um forasteiro de caráter suspeito envolto em mistério?

Se os vereadores sabem quais são suas funções verão que dentre elas está a fiscalização do executivo, logo, cabe no mínimo pedirem explicações à senhora prefeita, como parece que ocorrerá na sessão extraordinária da Câmara na próxima quinta-feira, dia 7, quando também ouvirão o ex-diretor do Meio Ambiente e uma misteriosa ex-secretária contratada pelo executivo para auxiliara o tal Miguel.

Se os senhores edis tiverem realmente coragem e não tiverem rabos presos abrirão uma CPI para investigar o caso.

E o Ministério Público? Vai esperar o que mais para solicitar gentilmente à senhora prefeita explicações sobre o caso? Será que a população mais atenta terá que solicitar por escrito que façam o seu trabalho?

E enquanto nada acontece as pessoas continuam morrendo, os hospitais continuam cheios, o povo segue entusiasmado achando que a pandemia acabou e que o importante é movimentar a economia e nós, pobres cidadãos e cidadãs, seguimos atentos a cada movimento dessa gestão que tem tudo para não comemorar nem o primeiro aninho.

Estamos de olho, não venham querer dar o Migué em nós não! Ou seria o Miguel?

Mariângela Leocárdio Jacomini -Professora universitária e servidora pública estadual. Formada em Letras, Pedagogia e Mestrado em Educação pela PUC Campinas.
Ativista pelos direitos humanos com ênfase nas questões de gênero e etnia. Presidenta do diretório Municipal do Partido dos Trabalhadores de São João da Boa Vista.

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