Pesquisadores da Unesp de São João da Boa Vista desenvolvem tecnologia para reciclar baterias

Pesquisadores da Unesp de São João da Boa Vista desenvolvem tecnologia para reciclar baterias.

As baterias de íon- lítio são muito comuns e usadas em pilhas, aparelhos eletrônicos, celulares e até drones e carros elétricos. Sua formulação, contudo, contém componentes que causam a contaminação do solo e do meio ambiente.

Até a pesquisa da Unesp, não existia uma forma sustentável de descartar nem reutilizar essas baterias em alta escala.

Atualmente, na reciclagem convencional, é preciso queimar a bateria para separar os materiais, método que além de poluir o ar, não reaproveita todos os resíduos.

A tecnologia criada Centro de Tecnologias Avançadas e Sustentáveis (CAST na sigla em inglês) da Unesp dispensa a combustão, recicla 100% dos componentes e é mais barata.

“É mais barato porque não envolve aquecimento e a geração de energia para aquecer alguma coisa é sempre um custo associado à produção e o reagente que a gente usa tem baixo valor”, explica a pesquisadora do CAST/Unesp, Mirian Paula dos Santos.

A bateria de íon-lítio é desmontada no laboratório e os pesquisadores retiram três partes: plástico, cobre e alumínio. As peças são colocadas por dez minutos em um solvente criado na universidade que, por meio de uma reação química separa os materiais.

Dessa forma, as folhas de alumínio e de cobre são limpas. Os resíduos que sobram chamados de óxido de lítio e cobalto também podem ser reutilizados na indústria agrícola, automotiva, cerâmica e eletroeletrônica.

Também é possível reutilizar o grafite na indústria de lubrificantes e os plásticos podem ser reciclados.

O pedido de patente da tecnologia foi depositado no Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI) pela Agência Unesp de Inovação em 30 de julho de 2020 e licenciada em 23 de outubro, um tempo considerado muito curto pelos pesquisadores, mesmo com a complexidade do processo.

O Brasil possui uma série de normas e recomendações ligadas ao descarte das baterias de íon-lítio e outros tipos de bateria. Atualmente, essas recomendações estão presentes em uma resolução do Conselho Nacional do Meio-Ambiente (Conama).

A Resolução Nº 257/99 determina que “as pilhas e baterias que contenham em suas composições chumbo, cádmio, mercúrio e seus compostos, necessárias ao funcionamento de quaisquer tipos de aparelhos, veículos ou sistemas, móveis ou fixos, bem como os produtos eletroeletrônicos que as contenham integradas em sua estrutura de forma não substituível, após seu esgotamento energético, serão entregues pelos usuários aos estabelecimentos que as comercializam ou à rede de assistência técnica autorizada pelas respectivas indústrias, para repasse aos fabricantes ou importadores, para que estes adotem, diretamente ou por meio de terceiros, os procedimentos de reutilização, reciclagem, tratamento ou disposição final ambientalmente adequada.”

Mas não há tecnologia disponível no Brasil para a reciclagem dessas baterias. Por isso, por ano são enviadas 70 toneladas de baterias de íon-lítio para a Coréia do Sul onde são reaproveitadas.

Segundo os pesquisadores, o novo método pode ser adotado em larga escala e ajudar a resolver o problema ambiental do descarte irregular.

“Ao ser descartada no aterro a bateria vai contaminar o solo. Esses metais vão se infiltrar por esse solo e alcançar os cursos de água subterrâneos que vão abastecer os nossos mananciais contaminar uma série de espécies e também vai chegar ao ser humano. A reciclagem é o caminho para o fechamento do ciclo de vida [desses materiais]” afirmou o professor engenharia eletrônica e de telecomunicações e coordenador do CAST José Augusto de Oliveira.